terça-feira, 8 de setembro de 2009

Soneto de Gregório de Matos

Anjo no nome, Angélica na cara!
Isso é ser flor, e Anjo juntamente:
Ser angélica flor, e Anjo florente,
Em quem, senão em vós, se uniformara?
Quem vira uma tal flor, que não a cortara,
De verde pé, da rama florescente:
E quem um Anjo vira tão luzente,
Que por seu Deus o não idolatrara?
Se pois como Anjo sois dos meus altares,
Foreis o meu Custódio, e a minha guarda,
Livrara eu de diabólicos azares.
Mas vejo, que por bela, e por galharda,
Posto que os Anjos nunca dão pesares,
Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda.


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